segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nota informativa: Relato sobre a situação da ocupação na região do shopping park – Uberlândia


Cerca de 500 famílias ocupam as casas do programa habitacional da Caixa Econômica Federal, que, seja por motivação intencional ou incompetência, não foram entregues aos moradores aos quais se destinava há 4 meses, encontrando-se, assim, em condição de deterioração. Do grupo de ocupantes foi expedida uma ordem de despejo de 200 famílias para o dia 24/04, mesmo com as negociações iniciadas na semana anterior.
Um recurso jurídico chamado “agravo” – que consiste no pedido de revisão da decisão pelo próprio juiz ou por outro – foi montado para impedir o despejo e encaminhado ao órgão competente em Brasília-DF, baseando-se no argumento da não utilização das casas e a condição de pobreza das ocupantes.
Sabe-se bem que nestes casos o processo jurídico é apenas uma parte da questão, o principal é a pressão política, por parte de apoiadores da sociedade civil e de movimentos sociais, mas principalmente da luta dos próprios moradores.
Enquanto o advogado Igino Marcos (CPT – Comissão Pastoral da Terra) continua preparando o recurso ao despejo e apoiando juridicamente essas famílias, outros apoiadores (CPT) e moradores se preparam para mais lutas.

I – Situação Material:

Ao conviver com nesse meio rapidamente observamos que se trata de um grupo de trabalhadores próximos ao chamado “lupemproletariado”; onde sua renda atinge no máximo 700 reais mensais dentre cerca de 5% de seus integrantes, mais da metade ganha entre 1 salário mínimo (650) e 400 reais e o restante menos do que isso, em sua maioria sem carteira assinada e trabalho irregular.
A motivação para o ato de ocupação é clara: impossibilidade de pagar aluguel – muito menos em comprar ou financiar uma casa – com tal salário, numa cidade de grande especulação imobiliária onde o aluguel de uma casa pequena e longe da região central não é menos de 250 reais – o que a maioria expressou ter pago anteriormente. Depreendo a primeira questão: como pode uma família com a renda de 400 reais pagar aluguel e ainda comer?
Está claro que um grupo social exposto a salários baixos, trabalhos de meio período, subemprego, “bicos” e até desempregados, tomem tal medida desesperada de ocupar uma casa vazia. Um deles afirma: “Tive que ocupar, como vou pagar 270 reais de aluguel se recebo 400 no trabalho de servente de pedreiro? Tenho mulher grávida e um filho para criar”. Qualquer um que ouvisse suas histórias se arrepiaria pela miséria e violência a qual foram expostos antes de chegar a tal lugar e tomar tal decisão.

II – Organização e relações sociais:

De um lado o movimento não tem lideranças, nem princípios constituídos nem organização hierárquica; se revezam em pequenos grupos de trabalho e as informações ficam a cargo do apoio de militantes apoiadores. Talvez este fato seja importante para explicar o espetáculo de democracia direta e solidariedade inigualável que se pode observar em suas reuniões.
As ciências sociais ainda não lhes focam com a importância científica nem a cidade de Uberlândia lhe reconhece importância política, mas isto é um grande erro, perde-se a oportunidade de entender tal cultura urbana, tal complexidade, suas próximas ações prometem constranger posturas políticas “apáticas” presentes na cidade.
Do ponto de vista das relações sociais, leia-se sociabilidade, entre os componentes da ocupação enganam-se aqueles que apresentam uma visão de que em um contexto com dificuldades materiais necessariamente encontramos tristeza e incapacidade. A quem participar de suas reuniões organizativas pode observar crianças brincando, mulheres entoando cantos evangélicos, homens rindo das piadas contadas. Esta é a convivência de um lugar ao mesmo tempo pobre e extremamente diverso.

III – Situação política:

O autor clássico Engels ao falar da origem dos movimentos sociais operários em “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra” lança a tese de que o movimento operário teria três fases: 1) resistências individuais (como o crime); 2) criação de associações de auxilio mútuo (solidariedade de classe); 3) movimento com conteúdo e organização política (movimento reivindicativo).
Observamos que o grupo em questão apresenta nível de organização com elementos que oscilam entre os três estágios de forma concomitante: suas decisões são motivadas pela necessidade material de uma moradia própria; solidariedade dos ocupantes para com aquelas famílias de ocupantes que não conseguem seu sustento básico – ou até participação nas demandas do movimento, como cadastro; se organizam para lutar por seus direitos, comparecendo, por exemplo, em frente á Caixa Econômica Federal para pressionar as autoridades sobre suas necessidade e reivindicações, e etc.
Elementos aparentemente contraditórios são combinados: uma religiosidade forte com uma objetividade também marcante, em suas falas sempre afirmam acerca de Deus mas nunca se esquecem de falar da necessidade da luta, entendem sua condição e que dela podem sair somente pela luta, mas incorporam a esperança na ajuda divina a este discurso – Deus e Luta são vocábulos comuns em suas falas.
A cidade de coronéis que é esta Uberlândia também lhes coloca seus limites políticos: seria de esperar que pelo menos algum político de esquerda apoiasse a causa, no entanto, estão abandonados por estes políticos que em ano de eleição não podem se sujar. De um lado Fellipe Atiê, pretenso candidato a prefeito, se aproximou apenas de algumas famílias, não para ajudar, mas para montar uma base de apoio – afinal não se apresentou a todo o grupo – de outro lado Gilmar Machado, seu concorrente, não quer auxiliar os ocupantes porque apresentam base de apoio de Felipe Atiê. Até o momento o movimento recebe apoio apenas de 4 militantes contrários a estas tendências de polarização para as eleições (CPT, Sindicato dos Correios e Coletivo estudantil DialogAção).
Apesar desta tragédia uma dupla condição se formou: pelo descaso dos políticos “coronelistas” são condicionados em direção à auto-organização; criam o mais belo espetáculo de democracia direta, sincera e comprometida, capaz de ser paciente com as diferenças entre seus companheiros e resolver a situação de forma coletiva – algo que jamais pude observar desde o congresso nacional da república do Brasil até nas assembleias do movimento estudantil.
Ao mesmo tempo em que episódios enfraquecem o movimento, como a ação da prefeitura que busca criar dissidências internas, processos contrários fortalecem sua luta; empurra-os para uma solidariedade entre seus membros e clareza de quem são seus amigos e quem são seus inimigos.
Por fim aquele grupo de lutadores legítimos precisa de ajuda dos diversos movimentos sociais, e esta é nossa tarefa, nos aproximarmos, ajudar em sua organização, apoiar sua luta, sempre respeitando suas vontades e seus métodos.

“Quando morar é um privilégio ocupar é um direito”

Fernando H. S. Araújo – Membro do Coletivo Estudantil Dialogação, Campo Debate Socialista (PSOL), Centro Acadêmico de Ciências Sociais – UFU (gestão Interagir) – 23/04/2012

domingo, 29 de abril de 2012

Setorial de Mulheres do CACIS UFU

A questão das mulheres e sua inserção na sociedade é delicada desde os mais remotos tempos. Sabemos que a mulher conquistou diversos direitos em sua luta feminista – desde o direito ao voto até o direito a inserção no mercado de trabalho – mas isso não significa que tenha conseguido conquistar sua emancipação plena na sociedade. Somos permead@s por um discurso de igualdade entre homens e mulheres, mas esse discurso é em boa parte uma ilusão. As mulheres ainda são oprimidas, todos os dias, de diversas formas: física, psicológica e moralmente.

Em vários momentos surge nas rodas de conversa algum assunto relacionado à pauta feminista. Alguns defendem que quando uma mulher usa uma roupa que deixa o corpo mais à mostra, de forma julgada vulgar, está se degradando. Porém, a degradação humana vem de onde? Do gosto por se vestir de determinada maneira, ou dos olhos, que vêem no corpo d@ outr@ algo a ser mostrado, escolhido e degustado? É preciso lembrar que em decorrência de diversos fatores históricos o corpo humano, principalmente o feminino, vem sendo desnaturalizado e subjugado.

É por esses e outros motivos que entendemos que a organização das mulheres é de extrema importância para o combate a essas práticas machistas que estão enraizadas em nossa sociedade. Pensando nisso, nós, mulheres do Centro Acadêmico de Ciências Sociais, começamos a nos reunir para construir um setorial de mulheres que formule sobre essas questões e articule as meninas do nosso curso em torno da luta feminista. Assim, convidamos a todas para virem e participar de nossa primeira reunião quinta-feira, 03 de Maio, às 11:30hrs na sede do Centro Acadêmico, onde organizaremos um calendário de leituras, discussões e intervenções públicas.

"Nada causa mais horror à ordem do que MULHERES que LUTAM e que SONHAM"
[José Marti]

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pinheirinho: quando morar é um privilégio, ocupar é um direito



Neste domingo, 22 de Janeiro de 2011, cerca de 2.000 policiais invadiram a comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, para expulsar cerca de 10 mil moradores que estava lá desde 2004. A Justiça Federal ordenou deter a desocupação dos terrenos, sendo assim, a "reintegração de posse", sob ordens do governador de São Paulo Geraldo Alckmin, é ILEGAL. Estima-se que 4 trabalhadores já foram mortos durante a ação policial.

TODO APOIO AOS MORADORES E MORADORAS DE PINHEIRINHO!



Pinheiros Vemelhos | Autor: Max Laureano |

Os pinheiros do mundo perderam seu verde característico
manchou-lhes de vermelho um maldito político!
Sangue de trabalhador
nas terras de um especulador
nem todo o perfume das Arábias limparão
essa vil e covarde traição
temos certeza: não, não haverá reeleição!

Chora Pinheirinho!
Chora Brasil! Chora mundo!
Reage Pinheiro! Reage Brasil!
Revolte-se Mundo!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nota Pública contra a expulsão de 6 estudantes da USP

Na última sexta-feira, dia 16 de dezembro de 2011, em despacho publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, o reitor João Grandino Rodas anunciou a expulsão de seis estudantes da Universidade de São Paulo, que estão participando da ocupação na moradia estudantil (CRUSP). A reitoria da USP optou pela pena de eliminação do corpo discente da universidade e exclusão do CRUSP a estudantes em luta por uma política de permanência estudantil que possibilite que estudantes de baixa renda possam frequentar a universidade pública.
Essa agressão ao direito democrático de organização e ação política no interior da universidade foi respaldada por um decreto dos anos de Ditadura Militar, mais precisamente de 1972. O decreto mencionado, em seu artigo 250, trata como falta de indisciplina grave, passível de punição, as seguintes ações: “promover manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares”. O conteúdo deste decreto está claramente em contradição com o livre direito de greve e de manifestação política, garantidos pela Constituição Federal de 1988.
Essa medida do reitor é parte integrante da política repressiva da administração da universidade e do governo estadualcontra o movimento organizado no interior da USP. Só neste ano de 2011, vimos a ameaça de demissão de dirigentes sindicais do SINTUSP, a prisão de 73 estudantes que se mobilizavam contra a presença da Polícia Militar no campus e, agora em meados de dezembro, essas absurdas expulsões. Explicita-se a intenção das autoridades constituídas de quebrar qualquer resistência à aplicação de seu projeto de universidade.
Diante deste grave acontecimento, as entidades e organizações políticas abaixo assinadas repudiam a repressão exercida por João Grandino Rodas e convocam o conjunto dos movimentos estudantil, popular e sindical brasileiros a se incluírem numa grande campanha em defesa da liberdade de manifestação política, instando a reitoria da USP a anular imediatamente a expulsão desses seis estudantes.
Assinam:
ADUSP – Associação dos Docentes da USP
SINTUSP – Sindicato dos Trabalhadores da USP
DCE Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme”


AMORCRUSP – Associação de Moradores do CRUSP gestão “Unidade Cruspiana”
CA XXXI de Outubro – Centro Acadêmicos 31 de Agosto [Enfermagem]
CAASO – Centro Acadêmico Armando Salles de Oliveira [São Carlos]
CAELL – Centro Acadêmico de estudos Literários e Linguístico “Oswald de Andrade”
CAER – Centro Acadêmico “Emílio Ribas” [Saúde Pública]
CAF – Centro Acadêmico da Filosofia “Prof. José Cruz Costa”
CAHS – Centro Acadêmico Hebert de Souza [Gestão de Políticas Públicas]
CALC – Centro Acadêmico Lupe Cotrim [ECA]
CAMAT – Centro Acadêmico da Matemática
CAPPF – Centro Acadêmico Professor Paulo Freire [Educação]
CARB – Centro Acadêmico “Rui Barbosa” [Ed. Física]
CAUPI – Centro Acadêmico Unificado de Pirassununga
CEGE – Centro de Estudos Geográficos “Capistrano de Abreu” CAHIS – Centro Acadêmico de História
CEQHR - Centro de Estudos Químicos "Heinrich Rheinboldt"
CEUPES – Centro Universitário de Pesquisa e Estudos Sociais [C. Sociais]
DALorena - Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia de Lorena


ANEL, ANDES-SN, CSP-CONLUTAS, SINASEFE, SINSPREV/SP, STU - Sindicato dos Trabalhadores da UNICAMP ,Sub-Sede da APEOESP Santo Amaro, MTST, SEPE-RJ, SindRede-BH

Organizações:
Barricadas Abrem Caminhos [Rompendo Amarras], Coletivo “Há quem sambe diferente”/PUC-Minas, Coletivo Construção, Coletivo Geografia na Luta/UFS, Coletivo “USP que queremos”, Construção Coletiva, Dialogação [Rompendo Amarras], Domínio Público [Rompendo Amarras], Frente de luta dos CA’s/UFMT, Juntos, Juventude LibRe, Movimento 89 de Junho (PUC/RS), Não Vou me Adapar (chapa pro DCE Livre da USP), Universidade em Movimento, Coletivo Feminista Yabá, Coletivo “Tomando o céu de assalto”/PUC-SP


DCE’s: UEM, UFJF, UFPA, UFPel, UFRGS, UFRJ, UNICAMP,


DA ICB/UFMG
ComuniCA/UFMG
DA Musica/UFMG
DA Letras Gestão “Ao Pé da Letras”/UFMG
CAEF/UEM
CABAM/UFRGS
CAAP/UFMG
CAPSI/UFMG
DACOI/PUC Minas
CECS/UFRGS
CAEF/UNIFAP
DA 26 de Julho/UFES
CACIS/UFU


Executivas e Federações de Curos:
CEREGENE – Coord. Executiva Regional dos Estudantes de Geografia do NE
CONEEG – Confederação Nacional das Entidades Estudantis de Geografia
CONEP – Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia
ENEBio – Executiva Nacional dos Estudantes de Biologia
ENECOS – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
FEMEH – Federação do Movimento Estudantil de História
FENED – Federação Nacional dos Estudantes de Direito